sábado, 12 de fevereiro de 2011

QUEM É QUEM NO ECAD

Glossário do ECAD

Ecad - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição


As decisões principais do ECAD são tomadas através de assembléias de associados, isto é, as associações de autores que o criaram. Vale destacar, como veremos a seguir, o conflito de interesses presente já no quadro social das principais associações, que mantêm entre associados e diretores, tanto autores individuais quanto grandes gravadoras e editores nacionais e transnacionais.

Isso quer dizer que tanto o grande sambista e compositor Tião Motorista, que só conhece quem há muito acompanha o samba, quanto as gravadoras EMI e SONY (pessoa jurídica), contratante de vários autores (pessoa física) têm os seus interesses representados por associações de autores que controlam o ECAD.

Deixo para o leitor concluir sobre os interesses que prevalecem nessa estória.

No cotiano, o Ecad tem um corpo administrtivo que o dirige

Arrecadação do ECAD.

Segundo informações que este blog teve acesso, através da Ata da 367 ª Assembléia do Ecad, realizado em 2010, mas referente a arrecadação de 2009, totalizou um montante de 374.255.579, 82 (Trezendos e setenta e quatro milhões, duzendos e cinquenta e cinco mil, quinhentos e setenta e nove reais e oitenta e dois centavos), apresentando um crescimento nominal de 12,63% sobre 2008. Os repasses as associações no ano de 2009 foram da órdem de 317.806.081,02 (Trezentos e dezessete milhões, oitocentos e seis mil e oitenta e um reais e dois centavos). As despezas operacionais da entidade foram da órdem de 66. 902.955,08 (sessenta e seis milhões, novecentos e dois mil e novecentos e cinquenta e cinco reais e oito centavos).

Sem entrar em qualquer análise, a exibição de tais números serve apenas para revelar ao leitor a monta de recursos que o Ecad movimenta, com base em números defasados, já que são do exercício de 2009, e a própria Ata da Assembléia registra a perspectiva de aumento da arrecadação. O que é um processo lógico, tendo em vista o crescimento da economia brasileira. Enfim, serve para revelar o que está em jogo em toda esta estória.

Os votos na assembléia do Ecad são proporcionais à arrecadação dos repertórios sobre o controle de cada uma das associações.

A assembléia hoje tem 35 votos, divididos da seguinte forma:

ABRAMUS - Associação Brasileira de Música e Arte- 14 votos

UBC - União Brasileida de Compositores - 13 votos

SOCINPRO - Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais - Brasil - 3 votos

AMAR - Associação de Músicos e Arranjadores - 2 votos

SICAM - Sociedade Independente dos Compositores, Autores Musicais - 2 votos

SBACEM – Sociedade Brasileira de Autores Compositores e Escritores de Música - 1 voto

Quem comanda cada uma delas:

ABRAMUS

Quem comanda é o Roberto Melo (advogado e músico, em algum lugar do passado...). É uma figura extremamente agressiva. Criou uma entidade para combater a reforma do direito autoral (CNCDA, tem site) e apoiou de forma pública e ostensiva a candidatura de José Serra, com quem dizia ter negociado o MINC (no blog do arakin fala disso) . Até alguns anos atrás era uma entidade pequena, mas cresceu rápido com a ida da gravadoras e editoras multinacionais pra lá. Divide a diretoria com elas (Warner/Chapel, Universal, Sony, EMI.) Alguns artistas participam da diretoria: Danilo Caymmi, Walter Franco e Juca Novaes. Como ela trabalha de forma bem profissional, muitos autores e artistas tem migrado pra lá.

UBC

Quem comanda: o José Carlos Perdomo, embora o presidente e quem a representa publicamente seja o compositor mineiro Fernando Brant, parceiro de Milton Nacimento na famosa música "Travessia". Até a alguns anos atrás, Perdomo comandava sozinho o ECAD (antes da ABRAMUS crescer). Foi até vítima de um atentado até hoje não esclarecido. Ele era da editora EMI, agora responde por uma editora menor. A diretoria é integrada pelo grupo mineiro, alguns do clube da esquina, com destaque para Fernando Brant, Abel Silva e Ronaldo Bastos. Recentemente a Sandra de Sá entrou na diretoria. Eles tem suas próprias editoras e dividem a diretoria com algumas editoras musicais nacionais. É a mais antiga, tem muitos herdeiros da velha guarda associados. Perdeu muita gente, mas como representa o repertório musical dos EUA e da Inglaterra, mantém grande poder de voto. O Brant é amigo de faculdade do Hildebrando.Pontes

SOCINPRO

Quem comanda: o advogado Jorge Costa. Originalmente era só de direitos conexos. Ela reúne alguns editores e muitos intérpretes (Jair Rodrigues, Silvio Cesar, Zezé Mota). Emagreceu muito depois que as gravadoras foram para a ABRAMUS. Segundo fontos, faz uma política clientelista, de emprestar dinheiro, para os artistas em dificuldades, a título de “adiantamento”.

AMAR

Quem comanda : o músico Marcus Vinicius Mororó. Tem um discurso de esquerda, nacionalista, diz que é a única associação que não tem gravadoras e editores, só artistas. Tem nomes de peso na diretoria ; Paulo Cesar Pinheiro, Nei Lopes, Luciana Rabello, e tem em seus quadros boa parte da nata do samba e do choro. O Marcus Vinicius também controla o selo CPC-UMES, por onde grava e promove associados da AMAR. O discurso ideológico segura muitos artistas progressistas por lá, inclusive do PT (A Ana Terra é de lá). Mas na prática em nada se difere das demais.Também perdeu muita gente pra ABRAMUS.

As demais associações pouco influem no sistema. A briga é entre ABRAMUS e UBC, mas raramente discordam. Quando acontece, as pequenas desempatam.

De uma forma geral, quem comanda o sistema são esses quatro nomes. Os artistas, com exceção do Brant, que é articulador, fazem parte do círculo de amizade pessoal deles e transferem para eles o processo decisório nas associações. Não é lá coisa de artista ficar se metendo num emaranhado de questões burocráticas e jurídicas.

Um comentário:

Dâniel Fraga disse...

Excelente postagem Flávio. Obrigado por essas informações. Daí vemos claramente quem está por trás do ECAD e quais seus reais interesses:

http://www.youtube.com/watch?v=yOej_LLon2o