segunda-feira, 26 de abril de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS BAIRROS DO RIO


Este blog prossegue com a publicação, por órdem alfabética, do resumo dos 159 bairros existentes na cidade do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pelo Instituto Pereira Passos, vinculado a Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura do Rio. Nesta postagem destacamos os bairros Portuguesa, Praça da Bandeira e Praça Seca.

Portuguesa

Originalmente a grande área situada entre as estradas do Galeão e de Tubiacanga era ocupada por matas contínuas aos terrenos da Aeronáutica. Próximo dela ficava um depósito particular de dinamite, cuja explosão em 1933, uma das maiores de nossa história, chegou a abalar portões de ferro no centro da cidade.

Em 1961, a Companhia Imobiliária Santa Cruz (loteadora do Jardim Guanabara) criou na região o “Jockey Club Guanabara”, com arquibancada principal, encimada por imponente marquise. Com as restrições impostas a corridas de cavalos no governo Jânio Quadros, o empreendimento fracassaria e suas instalações foram adquiridas pela Associação Atlética Portuguesa, que criou o Estádio de Futebol “Luso-Brasileiro”. Sua inauguração se deu no dia 2 de outubro de 1965, na partida Portuguesa 0 X 2 Vasco da Gama, com 2 gols do atacante vascaíno Zezinho, um deles ajudado pelo “Vento” o que fez o Estádio da Lusa ficar conhecido como o “Estádio dos Ventos Uivantes”.

O Estádio Luso-Brasileiro viveu grande momento em 2005, quando uma parceria com o Botafogo, o Flamengo e a Petrobras colocaram estruturas metálicas tubulares em todo o trecho disponível do Estádio, aumentando sua capacidade para 30.000 torcedores, na disputa do Campeonato Brasileiro daquele ano. Ficou conhecida como “Arena Petrobras”.

Portanto, a origem do bairro é associada à A. A. Portuguesa, sua urbanização é recente: em 1965, foi aberta a rua Haroldo Lobo, em 1966 a rua Gustavo Augusto de Resende, e a partir da década de 1970, sua expansão seria notável, em 1971 loteamentos na rua Gustavo Augusto de Resende, com 5 ruas. Nesse mesmo ano, surgiu a Rua A (atual Eduardo Nadruz), ligando a rua Haroldo Lobo a estrada de Tubiacanga, em 1973 loteamento próximo ao Estádio da Portuguesa com 4 ruas, 2 praças e uma avenida-canal (avenida Carlos Meziano) e, em 1976, houve o loteamento de grande terreno entre a avenida Maestro Paulo e Silva e a estrada de Tubiacanga, com 266 lotes, 12 ruas e várias praças, com traçados curvilíneos, dando origem ao Condomínio “Village da Ilha”, construído pela Cooperativa Habitacional da Ilha do Governador e é composto por 8 blocos com 1276 apartamentos e 514 casas.

O bairro da Portuguesa é predominantemente residencial, abrigando conjuntos habitacionais, vilas, condomínios, ora de casas ora de edifícios de apartamentos. Seu Centro Comercial fica ao longo da estrada do Galeão e rua República Árabe da Síria, o mais expressivo da Ilha do Governador, só comparado ao bairro Jardim Guanabara. Esse trecho recebeu em 1996, o projeto “Rio Cidade”, da Prefeitura, sendo criado um calçadão, áreas de estacionamento, passarelas metálicas e nas extremidades da área de intervenção urbana, dois monumentos, marcando simbolicamente a entrada da Ilha.

Na orla da Baia de Guanabara, entre a estrada de Tubiacanga e o mar, ficava um trecho da praia dos Gaegos, recoberta por manguezal, que começou a ser ocupada em 1973, multiplicando-se num período de 14 anos. Os moradores foram aterrando a área com despejos de lixo e entulho. Nos anos 1980, usavam material oriundo da terraplanagem da segunda pista do Aeroporto Internacional, daí consolidando a Comunidade do Parque Royal ou “Praia do Maneiro”. Foi beneficiada pelo Projeto “Favela-Bairro”, com implantação de creche, quadras esportivas, ciclovia, em 1994.

Nota: A denominação, delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

Praça da Bandeira

Em 1853, exatamente no local onde hoje está a Praça da Bandeira, foi construído o antigo Matadouro da Cidade. Evoluindo em volta do matadouro público, a Praça, conhecida inicialmente como Largo do Matadouro, tornou-se o centro de gravidade para o adensamento das cercanias. Nela passava o caminho para São Cristóvão.

Foi urbanizada no início do século XX, após transferência do Matadouro, em 1881, para Santa Cruz. Outro fator que impulsionou a evolução do bairro foi a proximidade com os bairros do Estácio e Cidade Nova, dois bairros centrais que sofreram acentuada ocupação a partir da chegada de D. João VI.

A construção da avenida Radial Oeste (atual Oswaldo Aranha) e do Trevo das Forças Armadas alterou a área nas décadas de 1960/1970, assim como a abertura do Metrô. A antiga estação Lauro Muller da Supervia, passou a denominar-se estação Praça da Bandeira.

Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

Praça Seca

O general Salvador Correia de Sá e Benevides (1601-1688) lutou contra os holandeses em Angola, defendendo os interesses portugueses. Foi governador do Rio de Janeiro por três períodos (1637-1642, 1648-1649 e 1659-1660), contribuindo com inúmeras melhorias e levando grande desenvolvimento à região, ao vender parte de suas terras em Jacarepaguá e incentivar seus proprietários a fundar novos engenhos.

O general faleceu em Lisboa em 1688, deixando suas terras para o filho, Martim Correia de Sá e Benevides (neto de Martim Correia de Sá), que se tornou o primeiro Visconde de Asseca e Alcaide-Mór do Rio de Janeiro. Dessa linhagem nobre dos Assecas, o quarto Visconde - nascido em 1698 e falecido em 1777 - foi o responsável pelos primeiros vestígios de povoamento mais efetivos em torno da Praça Seca (corruptela de Praça Asseca, ou Praç'Asseca), dando origem a uma configuração mais urbana para a região.

Área de confluência de antigos caminhos, antigamente denominada de Vale do Marangá, ou “Campo de Batalha” em indígena, a Praça Seca foi um marco histórico urbano da Cidade, pois foi aí que Jacarepaguá cresceu, longe do centro de decisões do governo colonial. E apesar de distante do núcleo central, a região apresentava alguns números significativos para o final do século XVIII: cerca de 250 residências, três lojas de tecidos, 70 vendas de produtos variados e cinco açougues.

Na antiga estrada de Jacarepaguá (atual Cândido Benício) existia o Largo do Asseca, homenageando o Visconde de Asseca. Em seu lugar, na década de 1890, surgiu uma Praça denominada 25 de Outubro, mas popularmente continuou sendo chamada Praça Asseca, daí vindo o nome “Praça Seca” como é designado atualmente todo o bairro.

Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

2 comentários:

architect diaries disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
architect diaries disse...

Flávio, bom dia. Estou realizando um mununcioso trabalho de busca histórica do bairro Praça Seca, gostei do resumo sucinto que entoou em seu blog. Gostaria de saber se você teria mais informações as quais pudesse me fornecer sobre esse bairro, tais como fotos antigas por sinal e história de seu desenvolvimento.

Desde já, obrigado.

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Alexandre Andrade
Formando da faculdade de arquitetura e urbanismo.
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e-mail - xande.arq@gmail.com