terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LEITURAS DA CRISE

É hora de conter a recessão

Um dos debates que se trava dentro e fora do governo sobre qual a melhor forma de combater a crise, que é, acima de tudo, uma crise de confiança, está relacionado à política fiscal. Isto é, se o governo diante da queda de arrecadação, resultado da retração de investimentos e de crédito, deve, por sua vez, cortar gastos ou aumentar os investimentos públicos, como tem sido feito até agora. O DEM, em seu site, e o conservadorismo econômico operam com o “mantra” do ajuste fiscal, que significa cortar gastos e suspender investimentos

Do ponto de vista contábil, parece lógico: se o governo arrecada menos, logo deve gastar menos. Mas num momento em que o setor privado reduz investimento e demite, em dezembro foram mais de 600 mil demissões, e o setor bancário limita o crédito ou aumenta o juro, em função das incertezas em relação ao porvir – daí a crise de confiança -, como aquecer a economia, gerar emprego e renda, para deter o ímpeto recessivo que se avizinha, se não houver aumento de gastos e de investimentos públicos, em particular num cenário de queda da inflação e de alta taxa de juro?

É óbvio que nesse debate há o componente político, que se refere aos que apostam no bom ou no mau desempenho do governo, que terá desdobramento na sucessão presidencial, já que até o advento da crise, 2009 seria (ou será?) o ano das grandes obras e realizações governamentais, que exerceriam ou exercerão, a depender dos efeitos da crise na economia real – o crescimento dos índices de desemprego são um alerta, embora dezembro seja tradicionalmente um mês de demissões, a despeito do estágio em que se encontra a economia, tanto é que praticamente a metade delas ocorridas naquele mês é atribuída a essa fato - um forte impacto sobre as escolhas eleitorais de 2010.

É nesse sentido que o governo federal acertadamente não efetuou nenhum corte orçamentário e através de instituições que controla como o BNDES, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, tem se desdobrado em oferecer crédito e investimentos. Se por um lado, acertou ao aumentar de duas para quatro faixas de desconto de imposto de renda, desonerando do pagamento aqueles setores de renda mais baixa, mas de consumo mais alto – aqueles que gastam o que ganham ao invés de pouparem -, hesitou em não criar uma quinta faixa com alíquota de 35% de desconto – e arrecadar mais de quem já está com as suas necessidades satisfeitas e ao invés de gastar poupa e, por isso, contribui menos para o aquecimento da economia e o combate a recessão, que é o objetivo final de tais medidas. Além disso, reduzir o fosso entre os ganhos dos ricos e pobres, que ocorreram até o advento da crise, mas numa proporção muito maior em favor dos mais aquinhoados.

Agora, garantir investimentos para manter obras e serviços em áreas como a de construção civil, forte geradora de empregos, PAC e Pré-Sal são necessárias, mas de longa duração e a crise não espera. É preciso manter a linha de reajuste do salário mínimo acima da inflação retroativo a fevereiro como previsto e aumentar a cobertura de programas como Bolsa Família, que tem resposta rápida sobre aqueles setores mais empobrecidos da sociedade, que têm propensão e necessidade de gastar o que ganham. É preciso, sobretudo, combater a crise, mas elaborar uma estratégia de longo prazo de saída da crise.

Numa próxima edição deste Blog será tratado o efeito que a taxa de juro praticada no país, exerce sobre este esforço de combate a recessão.

EM TEMPO: o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, contrariando a expectativa manifestada nesse artigo e de um amplo espectro de opiniões existentes na cúpula do governo federal, acabou de anunciar a imprensa que haverá um corte de R$ 37,5 bilhões no Orçamento, a princípio, restrito à União. Segundo ele, na sua maioria (R$ 24 bi), de gastos com o custeio e o restante em investimento, que não atinjem obras do PAC. Se tais cortes afetarem o aumento real, acima da inflação, do salário mínimo e uma eventual ampliação da cobertura de programas como o Bolsa Família, do ponto de vista deste Blog, será um grave retrocesso no caminho que o governo vinha trilhando até aqui no combate a recessão.

2 comentários:

luiz martins da rocha disse...

Caro Flávio Loureiro,o Dem eo PSDB,não tem programa e nem discurso,em seu governo tentaram utlizar o plano nacional de desenvolvimento do govrno Collor,ja sabemos o que ocorreu,faliram o país.o lula está certo.

Luiz Martins da Rocha disse...

O que a miria Leitão falou hoe no RJ tv,é um paradoxo,o seviço público não tem ninguém para atender o povo,em qualquer setor falta gente,bem no legilativo tem de sobra,o desgoverno color e FHC,acabaram com o que restou da maquina publica,mas isto ocorre a anos,acabaram com os bondes e as ferrovias e privatsaram o transporte,ficou caro e péssimo,acabaram com os hospitais público e privatisaram a saúde através do SUS,os donos de clinica estão bilionátrios,atendem uma gripe e cobram uma pneumunia,fazem um parto normal e cobram uma cezariana e ainda usam as clinicas politicamente e dessa forma tem uma forte bancada no congresso,qeu na maior cara de pau chamam de bancada da saúde,mas,na verdade ela só defende os interesses desses vampiros,digo empresários da saúde.No ensino é que cometeram o crime de lesa pátria,acabaram com a fortíssima estrutura da escola pública e privatisaram o ensino,hoje assistimos as crianças saírem de casa as 8hs e regrssar as 11hs,da escola,enquanto isso o mundo tem ensino integral,público é isto que explica o rápido desenvolvimento dos tigres asiáticos,enquanto isso nós brasileiros com um congresso oligarca,temos que importar tecnicos e engenheiros.a Míria Leitão faz o jogo que interessa ao seu patrão.