segunda-feira, 29 de março de 2010

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS BAIRROS DO RIO

Este blog prossegue com a publicação, por ordem alfabética, do resumo da história dos 159 bairros existentes na cidade do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pelo Instituto Pereira Passos, vinculado à Prefeitura do Rio e à Secretaria Municipal de Urbanismo. Nesta postagem destacamos os bairros de Parque Colúmbia, Pavuna e Pechincha.

Parque Colúmbia

Os primeiros moradores se fixaram na região em 1950. A urbanização era precária, havia muitos coqueiros e matagais, e a rua Embaú, principal via, não era pavimentada. A pesca no rio Acari era a atividade predominante das famílias locais.

Em 1956 surgiu um Projeto de Arruamento e Loteamento Misto, Proletário e Industrial, a 229 metros da rodovia Presidente Dutra, entre o rio Acari e a rua Embaú, resultando em 7 ruas. O projeto foi implantado na propriedade da empresa “Ferrometais Colombo Comércio e Indústria S.A., daí o nome “Parque Colúmbia”. Posteriormente, em 1960, outro projeto de loteamento popular (PAL 23173) no lado ímpar da rua Embaú, na propriedade da empresa “Mercúrio Engenharia Urbanização e Comércio Ltda”, deu origem a 7 ruas e à Praça Somália.

O bairro de Parque Colúmbia é, em sua maior parte, residencial, com indústrias e depósitos de lojas de departamentos na rua Embaú e na rodovia Presidente Dutra.

Nota: Criado pela Lei Nº 1787 de 23 de abril de 1999 com a alteração do Bairro da Pavuna.

Pavuna

Vem do indígena PABUNA ou YPABUNA - “lugar ou região escura, sombria, tudo negro” -, que deu nome ao rio de 14 Km de curso que separa o Município do Rio dos municípios da Baixada Fluminense e à localidade que deu origem ao atual bairro. No século XVI, os franceses registravam aldeias de índios Tupis em seus mapas, e uma delas, a aldeia de “UPABUNA”, estaria às margens do referido rio Pavuna. Nessa região se instalaram engenhos de produção de açúcar e registra-se a existência, no século XVIII, da fazenda Nossa Senhora da Conceição da Pavuna, pertencente à família Tavares Guerra, cuja capela data de 1788.

No final do reinado de Dom Pedro I, foi construído o canal da Pavuna, por influência do ministro José Inácio Burles, sendo encarregados da obra o visconde de Jurumirim e o major João Antonio de Vasconcelos Rangel. Esse canal permitiu melhor navegabilidade até a Baía de Guanabara, via rio Meriti, e contribuiu também para o saneamento da região, evitando epidemias de febre amarela.

Em 1833, a Pavuna se localizava dividida pelo rio de mesmo nome, cada lado pertencendo a uma freguesia da cidade: a do lado sul, à freguesia Irajá, e a da lado norte, à freguesia de São João de Meriti. Houve na época uma disputa com Nova Iguaçu, que requeria as terras de ambas as margens do rio Pavuna, mas o Rio de Janeiro ganhou, fixando-se então o limite no divisor histórico das freguesias, o referido Rio Pavuna.

Nas terras do antigo Engenho N. Sra. da Conceição, entre as décadas de 1940 e 1950, foi feito o loteamento da “Vila Dom Pedro II”, resultando nas atuais ruas Mercúrio, Apolo, Catão, Juno, dentre outras, e gerando o núcleo urbano da Pavuna. Na década de 1930 já tinha sido implantado o loteamento do lado oeste da ferrovia, com as ruas Comendador Guerra, Judite Guerra, Albertina Guerra, a praça N. Sra. das Dores etc.

O acesso original da Pavuna era o caminho ou estrada da Pavuna, depois transformada na avenida Automóvel Clube (atual Pastor Martin Luther King Jr.). Ligava-se à Anchieta pelo caminho do Engenho Velho, depois rio do Pau, atual avenida Crisóstomo Pimentel de Oliveira. Com a inauguração da rodovia Presidente Dutra, em 1951, ganhou área industrial ao longo da rodovia, limitada pela avenida Coronel Phidias Távora e a “Linha Verde”.

Na década de 1970, grande conjunto habitacional foi erguido entre a avenida Automóvel Clube, o morro da Conceição e a rua Herculano Pinheiro, denominado de “Nova Pavuna”. Posteriormente, foi implantado o conjunto “Vilage Pavuna”, abrangendo área entre a linha auxiliar e a rua Coronel Moreira César.

Com a abertura da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, foi inaugurada a estação da Pavuna, em 1910, fazendo parte de um “Ramal Circular” que incluía Thomasinho, São Mateus e São João de Meriti. Com a extinção desse ramal, em 1949, foi construída a nova estação, localizada no ramal que ligava os trens metropolitanos de Dom Pedro II a Belford Roxo.

No antigo leito da Estrada de Ferro Rio D’Ouro, a Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro-Metrô, implantou a sua Linha 2, onde foi implantada a estação da Pavuna, inaugurada em 31 de agosto de 1998, o que facilitou o acesso dos moradores da Baixada ao Centro e à Zona Sul do Rio de Janeiro. Também faz parte da Linha 2 a estação Engenheiro Rubens Paiva, inaugurada em 24 de setembro de 1998, próxima aos conjuntos habitacionais Rubens Paiva e Presidente Medici.

O Centro Comercial da Pavuna é interligado com o vizinho de São João de Meriti, no eixo da avenida Pastor Martin Luther King Jr. (Automóvel Clube). Predominam no bairro as áreas residenciais, destacando-se comunidades como a Final Feliz e Bairro da Pedreira (limite em Costa Barros). Entre a Linha Verde, a rodovia Presidente Dutra e o canal da Pavuna, fica a Zona Industrial da Pavuna.

Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280 de 23 de agosto de 1985 e pela Lei Nº 1787 de 23 de abril de 1999 que cria o Bairro de Parque Columbia.

Pechincha

No antigo caminho da Freguesia (atual avenida Geremário Dantas), no encontro das estradas do Tindiba e do Pau Ferro, surgiu, no início do século XX, uma localidade cujo nome popular era “Pechincha”. A denominação se referia a um mercado no qual se vendiam os produtos dos sitiantes da região, por um negociante “Pechincheiro”, que, por seus baixos preços, concorria com o comércio da Freguesia e Taquara. Em 1885, seus moradores passaram a ser sepultados em um cemitério novo, sob a invocação do Bom Jesus dos Perdões, com acesso pelo Caminho de Cima (atual rua Benevente), o atual Cemitério de Jacarepaguá.

Por iniciativa de Leopoldo Fróes, foi fundada, em 19 de agosto de 1918, a “Casa dos Artistas”. Logo após foi doado um grande terreno na rua Campos das Flores (atual rua Retiro dos Artistas), onde, em 1919, foi instalado o Retiro dos Artistas. Notabilizando-se pela defesa dos interesses da classe artística, a Casa recebeu, em 1931, no governo Getúlio Vargas, sua Carta Sindical, tornando-se o representante oficial dos artistas. Nela fica o Teatro Iracema de Alencar e são realizadas festas e eventos em prol da classe artística, além de servir de residência para os mais idosos. Nesses anos de atuação, a Casa escreveu uma expressiva história artística, social e assistencial, sendo considerada uma instituição de caráter único do Brasil.

Destacam-se no bairro o Educandário São José das Servas de Maria, localizado na estrada do Capenha, o Colégio Nossa Senhora Rainha dos Corações, na avenida Geremário Dantas, o Colégio Cruzeiro e a Sociedade Beneficiente Retiro Humboldt, na rua Edgar Werneck.

O Pechincha possui expressiva área verde na rua Retiro dos Artistas e na antiga Sede Campestre José Duarte Dias, onde está sendo construído grande condomínio residencial que inclui um parque e um clube: o empreendimento “Mirante Campestre”.

O bairro é predominantemente residencial, com comércio concentrado no Largo do Pechincha. Além das vilas e condomínios fechados ao longo das ruas Retiro dos Artistas e Professor Henrique Costa, o bairro abriga as comunidades Paço do Lumiar, Vila Nossa Senhora da Paz e Santa Isabel. Sua elevação principal é o morro do Barro Vermelho (176 metros), no limite com o bairro do Tanque.

Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280 de 23 de agosto de 1985.

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